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Clima no STF é de ‘Ressaca’ Após Sessão Classificada Como ‘Vergonhosa’ e Marcada por Ataques Entre Ministros

Encontro extraordinário aprofunda desgaste da Corte; interlocutores de Fachin apontam desrespeito de aliados de Moraes e alas travam batalha sobre a sessão do dia 23 de setembro.

VT

Por Da Redação

16/09/2026 às 15:36

Clima no STF é de ‘Ressaca’ Após Sessão Classificada Como ‘Vergonhosa’ e Marcada por Ataques Entre Ministros
Foto: Ministro Edson Fachin — Foto: Alejandro Zambrana/STF
O ambiente interno no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (16) é descrito por ministros e interlocutores como de profunda "ressaca" moral e institucional após a tumultuada sessão plenária extraordinária realizada na terça-feira (15). Marcado por bate-bocas ríspidos, acusações veladas e agressões verbais diretas entre alas antagônicas do tribunal, o julgamento foi qualificado por integrantes da própria Corte como um episódio "vergonhoso", que amplificou a crise de imagem perante a opinião pública em vez de pacificar o tribunal.

Embora assessores e magistrados já antecipassem um ambiente de forte atrito, o desfecho superou as piores previsões. O plenário transformou-se no palco de uma disputa corporativa aberta, transportando para a frente das câmeras da TV Justiça as desavenças que vinham sendo travadas por meio de ofícios reservados e vazamentos de bastidores. O nível de tensão levou um ministro a desabafar nos corredores que as discussões ultrapassaram a urbanidade jurídica e entraram em uma perigosa lógica de "matar ou morrer".

Fricção Direta Contra a Presidência de Fachin
O presidente do Supremo, Edson Fachin, tornou-se o principal alvo de cobranças e contestações da ala articulada em torno de Alexandre de Moraes, capitaneada de forma mais incisiva por Flávio Dino. Na avaliação de auxiliares da Presidência, o comportamento dos aliados de Moraes foi considerado "desrespeitoso" e rompeu com os padrões regimentais de civilidade.

Na abertura dos trabalhos, Fachin tentou estabelecer um freio de arrumação institucional, exortando os pares a compreenderem a gravidade histórica do momento e alertando que o plenário "não poderia entregar às futuras gerações um STF menor do que recebeu". Fachin reforçou que divergências jurídicas são salutares e inerentes à colegialidade, desde que expressadas sob estrita compostura civilizada — apelo que foi inteiramente ignorado ao longo dos debates.

O Manobra do Pedido de Vista e a Incerteza do Quórum
A deliberação foi paralisada sem qualquer resolução de mérito. Diante da iminência de um empate em 4 a 4 na votação preliminar sobre a questão de ordem que requeria o julgamento conjunto das representações de Moraes e André Mendonça, Flávio Dino formalizou pedido de vista e requereu que o seu próprio voto não fosse computado de imediato, suspendendo a deliberação por até 90 dias úteis.

A interrupção abriu uma nova frente de guerra jurídica e regimental entre os dois blocos:

Estratégia do grupo de André Mendonça: Defende que a sessão agendada para o próximo dia 23 de setembro — destinada a analisar a petição movida por Moraes contra Mendonça — deve ser compulsoriamente suspensa. O argumento sustenta que o colegiado não pode abrir processo contra Mendonça sem antes concluir se os casos devem tramitar unidos ou desmembrados;

Ofensiva dos aliados de Alexandre de Moraes: O grupo articula a manutenção da pauta do dia 23 a qualquer custo. O objetivo é tentar impor uma reprimenda ou sanção disciplinar a André Mendonça de forma imediata, empurrando a deliberação sobre o laudo da Polícia Federal contra Moraes para depois do pleito eleitoral de outubro.

A Presidência de Edson Fachin permanece sob pressão para arbitrar o calendário e definir se mantém ou cancela a sessão plenária da próxima semana.

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