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Julgamento Inédito Sobre Moraes no STF: O Que Esperar da Sessão e os Impasses no Plenário

Ministros analisam relatório da PF sobre contatos com ex-dono do Banco Master; quórum, acesso a dados de celular e pedido de anulação feito pela PGR dominam os bastidores da Corte.

VT

Por Da Redação

14/09/2026 às 00:00

Julgamento Inédito Sobre Moraes no STF: O Que Esperar da Sessão e os Impasses no Plenário
Foto: VT News
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15), a partir das 10h, uma sessão plenária extraordinária que se desenha como um dos momentos mais críticos da crise institucional que atinge a Corte. Os magistrados vão deliberar sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que compilou 52 mensagens trocadas entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.

O julgamento é considerado inédito nos anais do STF por colocar o plenário diante da avaliação de suspeitas envolvendo um integrante do próprio tribunal, sem a existência de um rito formal e específico previsto no Regimento Interno para tal hipótese. Os trabalhos serão conduzidos pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que assumiu a relatoria do caso após a escalada de decisões divergentes e manifestações de bastidores nos últimos dias. A sessão contará com transmissão ao vivo pela TV Justiça e terá acesso presencial restrito ao plenário.

Apesar da realização confirmada, o clima que antecede a reunião é marcado por indefinições processuais, impasses regimentais e divergências sobre o escopo do que será votado.

O Que Está em Julgamento
A pauta a ser apreciada pelos ministros reúne os seguintes eixos principais:

O Relatório da Polícia Federal: Confeccionado por ordem do relator André Mendonça no curso das apurações do caso Master, o documento relata que Vorcaro teria se encontrado oito vezes com Moraes em busca de apoio institucional. O texto também cita a atuação do magistrado na análise de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

O Pedido de Nulidade da PGR: O procurador-geral da República, Paulo Gonet, protocolou manifestação pelo arquivamento e anulação do relatório, apontando vícios formais de origem. Segundo a PGR, o documento foi determinado por Mendonça sem provocação do Ministério Público ou da autoridade policial, sem ciência da Presidência e com suposto direcionamento. Caso a preliminar de nulidade seja acatada, o plenário encerra a discussão sem avaliar o mérito das comunicações.

Novas Quebras de Sigilo (PET 15.645): Na véspera do julgamento, Moraes pediu a Fachin a derrubada do segredo da Petição 15.645, que detalha a rede de pagamentos do Banco Master. A PGR manifestou-se favoravelmente nesta segunda-feira (14), somando-se a outros 53 procedimentos tornados públicos anteriormente pela Presidência.

O Impasse do Quórum: Participações e Suspeições
A formação da bancada votante segue como foco central das articulações internas:

Alexandre de Moraes: Alvo central do documento, o ministro avaliou com interlocutores se comparece à bancada e se irá se abster do voto. Setores do STF defendem a ausência voluntária para afastar impressões de constrangimento sobre os pares.

André Mendonça: A ala aliada a Moraes avalia apresentar uma questão de ordem arguindo o impedimento do relator para votar, argumentando perda de imparcialidade na produção da peça pericial.

Dias Toffoli: A tendência é que não participe. O ministro deixou a relatoria do caso Master no início do ano e mantém declarações regulares de suspeição em desdobramentos após menções a negócios familiares.

Luiz Fux e Kassio Nunes Marques: Apesar de menções contextuais a familiares de ambos em materiais da investigação, a perspectiva predominante é de que o Plenário ratifique a participação dos dois.

Paulo Gonet (PGR): Permanece em dúvida a participação pessoal de Gonet na tribuna, visto que o procurador-geral, além de pedir a nulidade do laudo, foi nominalmente citado nas comunicações sob escrutínio.

A Disputa pelo Acesso às Provas do Celular
Os momentos prévios ao plenário foram conflagrados por cobranças severas pelo acesso irrestrito às evidências digitais:

Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes recorreram à Presidência solicitando cópia do espelhamento do aparelho apreendido com Daniel Vorcaro (um iPhone 17 Pro). Os magistrados sustentaram que a Corte não poderia deliberar amparada em recortes e sínteses parciais.

Mendonça argumentou que mantinha apenas uma cópia de segurança lacrada e criptografada em seu gabinete, cabendo a preservação do aparelho original à PF para resguardo da cadeia de custódia, além de alertar que a liberação geral colocaria apurações em andamento sob risco. Zanin, então, determinou diretamente à corporação policial a remessa do material em até 24 horas, medida prontamente atendida na manhã desta segunda-feira (14).

Cenários Prováveis no Plenário
Interlocutores apontam quatro caminhos possíveis para a deliberação dos magistrados:

Acolhimento da Nulidade: O colegiado acompanha o parecer da PGR, declara nulo o relatório por vício formal e encerra o procedimento criminal contra Moraes.

Desfecho Administrativo: O tribunal opta por afastar a esfera penal e remeter a matéria para avaliação disciplinar ou correcional interna.

Pedido de Vista: Um ministro solicita mais tempo para avaliar os autos, interrompendo a votação e adiando o desfecho da crise institucional.

Transformação em Sessão Fechada: Apesar da previsão de transmissão pública, um magistrado pode suscitar questão de ordem para restringir a sessão, resguardando o sigilo de anexos que contêm dados bancários e fiscais.

Posicionamento dos Envolvidos
Alexandre de Moraes: Argumentou em ofícios que Mendonça promoveu uma "escolha seletiva" e "direcionamento subjetivo" ao reter 180 documentos digitais, defendeu a transparência irrestrita e garantiu que o conjunto probatório confirmará a legalidade de sua conduta.

André Mendonça: Refutou qualquer seletividade, pontuou que abriu as principais investigações e justificou que os sigilos mantidos serviram exclusivamente para proteger diligências pendentes e dados fiscais de terceiros.

Edson Fachin: Destacou que "a gravidade dos fatos não autoriza atalhos", indeferiu a análise simultânea das suspeitas sobre Mendonça (pautadas para o dia 23 de setembro) e recebeu o apoio de um manifesto subscrito por 198 juristas e ex-ministros pela estabilidade institucional.

PGR: Reafirmou a necessidade de invalidação do relatório e cobrou a abertura documental irrestrita para respaldar a convicção jurídica de todos os julgadores.

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