menu Menu
VT News | Brasil
Assine por R$ 1,90 /mês quinta-feira, setembro 17, 2026

Zanin e Gilmar Mendes Recebem Cópia Integral do Celular de Vorcaro às Vésperas de Julgamento no STF

Polícia Federal atende determinação e compartilha espelhamento de dados do aparelho com ministros; plenário desta terça-feira (15) decide sobre pedido de investigação contra Alexandre de Moraes.

VT

Por Da Redação

14/09/2026 às 00:00

Zanin e Gilmar Mendes Recebem Cópia Integral do Celular de Vorcaro às Vésperas de Julgamento no STF
Foto: VT News
Os gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmaram o recebimento, nesta segunda-feira (14), do conteúdo integral extraído do telefone celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master. A liberação do material foi viabilizada após determinação formal expedida por Zanin no domingo (13), que ordenou ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, o compartilhamento dos arquivos com seu gabinete em um prazo de até 24 horas.

A medida foi imediatamente acompanhada pelo decano da Corte, Gilmar Mendes, e pelo ministro Alexandre de Moraes. O acesso ao espelhamento do aparelho busca municiar os magistrados com o contexto probatório completo antes da sessão plenária extraordinária desta terça-feira (15), quando o tribunal avaliará a validade do relatório pericial da PF que compilou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes antes da prisão do empresário na Operação Compliance Zero.

O Impasse Entre os Gabinetes e a Ordem à PF
O compartilhamento dos dados encerra um impasse processual aberto na última sexta-feira (11), quando Zanin solicitou ao presidente do tribunal, Edson Fachin, acesso irrestrito ao acervo digital do investigado. Fachin requisitou a disponibilização ao relator das apurações do caso Master, André Mendonça. Em resposta, Mendonça esclareceu que o aparelho físico — um iPhone 17 Pro apreendido na Operação Compliance Zero — não se encontrava sob a custódia de seu gabinete, mas retido nas instalações da própria corporação policial para preservar a integridade da cadeia de custódia, em cumprimento a uma decisão de 19 de fevereiro de 2026.

Mendonça ressaltou que mantinha apenas uma cópia de segurança criptografada em disco rígido, entregue lacrada pela corporação em março de 2026 e mantida intacta. O relator enviou ofício sustentando que a liberação indiscriminada de todo o conteúdo "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e traria "risco a todo o seguimento e êxito das investigações", afirmando ainda que os integrantes do colegiado já dispunham do material indispensável para deliberar.

Em contrapartida, os ministros que cobravam os arquivos — respaldados por parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) favorável ao acesso amplo — defenderam que a Corte não poderia analisar o caso com base em "sínteses parciais". Diante da confirmação de que os arquivos estavam no órgão policial, Zanin acionou diretamente a autoridade policial e ordenou a remessa, que foi concluída na manhã desta segunda-feira.

Julgamento Inédito e Desenho de Votos no Plenário
A sessão convocada por Fachin para esta terça-feira (15) é considerada um marco inédito na história do tribunal, por colocar o Plenário diante da avaliação de um relatório da PF que levanta suspeitas sobre a conduta de um ministro em exercício sem que haja um rito expressamente detalhado no Regimento Interno. O foco inicial da deliberação será a higidez legal do documento, alvo de questionamentos de ministros que apontam que Mendonça solicitou apurações contra um par sem a devida autorização prévia do plenário.

Nos bastidores, o cenário de votação aponta divisões claras:

Pelo arquivamento ou anulação: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como votos inclinados a acompanhar a manifestação da PGR pela nulidade do procedimento por vício formal de origem;

Pela manutenção do relatório: André Mendonça conta com o alinhamento provável dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux na defesa do prosseguimento das averiguações;

Votos indefinidos: O presidente Edson Fachin e a ministra Cármen Lúcia mantêm reserva e são considerados os fiel da balança no colegiado;

Quórum e abstenções: O ministro Dias Toffoli indicou a tendência de não votar, repetindo declarações de suspeição adotadas em desdobramentos do caso Master desde sua saída da relatoria, embora haja defensores de sua participação por se tratar de debate estritamente processual.

Comentários (0)

Participe da conversa! Faça login para comentar.

Entrar no VT News

Seja o primeiro a comentar.